Todos os dias, ao entardecer, passava por aquela casa e via sempre as janelas com suas partes abertas rigorosamente em mesma medida. A tão ínfima fresta que se formava atraía os olhares mais curiosos que por ali iam quase distraídos - o dela era um deles. Espiava a cena estática pelos átimos em que passava e, como disfarce e punição pela vergonha da indiscrição que cometera, voltava os olhos rapidamente ao chão.
Lá dentro, guardados pelo sigilo daquelas paredes, o mundo deles tinha rotação mais lenta, translação mais rápida, explosões constantes. Viviam em guerra subjetiva, não declarada e iminente. Já não se olhavam pelo temor das faíscas que por ventura lhes seriam atiradas pelo outro, mantinham o diálogo necessário à condução da vida, evitando ao máximo o contato instintivo. Sofriam sem sentir o sofrimento, tal era a forma como a ele estavam acostumados...
Quem passava lá fora mal poderia imaginar que os moradores daquele casebre eram como as partes daquela janela: tão próximos pelo amor mútuo que ainda nutriam secretamente, mas eternamente distantes pelos interstícios da incompreensão de seus próprios sentimentos...
Lá dentro, guardados pelo sigilo daquelas paredes, o mundo deles tinha rotação mais lenta, translação mais rápida, explosões constantes. Viviam em guerra subjetiva, não declarada e iminente. Já não se olhavam pelo temor das faíscas que por ventura lhes seriam atiradas pelo outro, mantinham o diálogo necessário à condução da vida, evitando ao máximo o contato instintivo. Sofriam sem sentir o sofrimento, tal era a forma como a ele estavam acostumados...
Quem passava lá fora mal poderia imaginar que os moradores daquele casebre eram como as partes daquela janela: tão próximos pelo amor mútuo que ainda nutriam secretamente, mas eternamente distantes pelos interstícios da incompreensão de seus próprios sentimentos...
PS.: Texto já antigo, publicado em outro site, mas muitas coisas parecem perdurar ou repetir... Semana que vem eu posto algo novo!
PPS.: Template feito pelo Ruy. Obrigada, filho! A-DO-REI!
[Ê, vício!]
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